O colega Márcio Parra há de me perdoar, mas política é um tema que me é caro. Ontem, Juvenal Juvêncio foi reeleito presidente do São Paulo, superando o ex-judoca pelo placar de 147 votos a 64. O oposicionista pode ter sido medalha de ouro, campeão mundial e o escambau, mas isso não chega nem perto de credenciá-lo para dirigir o mais glorioso clube brasileiro. Credenciais negativas, porém, o cara tem de sobra, sendo as duas mais notáveis a briga que ele, da arquibancada, comprou com atletas e comissão técnica de Cuba durante as gincanas de 2007 (também conhecidas como Pan do Rio), e o fato de ser vereador pelo PRB (antigo PL), um partido mensaleiro e abrigo político da bancada da Igreja Universal do Reino Deus (Que Ele nos livre dessa corja). O fato de pertencer a um partido que não tem lá muito apreço por instituições democráticas como o Congresso Nacional, se vendendo ao Poder Executivo por alguns trocados, não inibiu o ex-judoca a nomear sua chapa como “Defenda a democracia”. Na cerimônia de lançamento da candidatura Éder Jofre, bi-campeão mundial de boxe, também estava presente. Ou seja: temos um JUDOCA e um BOXEADOR querendo poder no São Paulo FUTEBOL Clube. Felizmente, o vereador não virou presidente.
Com Juvenal no comando, vencemos dois brasileiros, e Marcelo Portugal Gouvea, presidente do último mundial, também integra a chapa. O respeitável Juca Kfouri ultimamente gosta de nivelar o São Paulo pelos outros times paulistas. Isso é falso. Primeiro, porque mesmo com aumento do mandato de 2 para 3 anos, o tricolor ainda tem eleições regulares com mandato curto sempre, e com possibilidade de apenas uma reeleição. É o único clube paulista que teve suas maiores glórias sem precisar se vender a aventureiros nacionais e internacionais como HMTF, MSI, Parmalat, Traffic, Wtorre (a dona real do futuro estádio do palmeiras) etc. Juca que me perdoe, mas para se igualar a outros times, o tricolor precisa de um Mustafá ou um Dualibi durante décadas no poder, praticamente sem oposição, ou seja: virar ditadura. Para se igualar em incompetência ou desonestidade a Corinthians e Palmeiras, o São Paulo FC precisa cair para a série B, ter um Presidente afastado pela justiça, ser acusado de sonegação de impostos, e ter suas eleições nas páginas policiais, não nas esportivas. E não basta sofrer acusações na justiça brasileira, é preciso ter um parceiro que enfrente problemas nas justiça internacional, como Kia Joorabchian, ou a Parmalat na justiça italiana (foram acusados de lavar dinheiro no Palmeiras). Quem sabe também um técnico citado como fraudador da receita e aproveitador de vendas de jogadores, além de gato com idade e nome falsos, em uma CPI, como o “genial” Vanderlei (ou Wanderley) Luxemburgo , que ganhou títulos nos dois times?
Não. O São Paulo não é como os outros, e é isso que faz ele ganhar mais títulos. Pode não ser do mesmo nível administrativo que os melhores clubes europeus, mas não deixa de ser um oásis nesse deserto de homens e idéias que é a cartolagem brasileira.

“A diferença entre o cartola de futebol e o torcedor organizado é a camisa regata e o terno e gravata”
Mano – Estádio 97
Por: Felipe Parra em Abril 24, 2008
às 1:59 pm